sábado, 5 de dezembro de 2009

Avanços sociais e econômicos na Bolívia devem garantir reeleição de Evo:


Primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales disputa a reeleição neste domingo (6) e deve se reeleger. "A própria oposição já jogou a toalha, diante dos avanços obtidos por Morales, que conseguiu avanços econômicos, sociais e políticos que hoje têm reconhecimento dos bolivianos e da comunidade internacional", disse o deputado Nilson Mourão (PT-AC).

Na disputa de domingo, Morales lidera com folga enorme: tem cerca 60% das intenções de voto. O segundo candidato tem cerca de 20%.

Evo Morales termina seu primeiro mandato não apenas com a imagem fortalecida junto aos pobres, graças a uma série de programas sociais, mas também é reconhecido por empresários da Bolívia e até pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) pelo modo com que conduziu a economia boliviana.

Em sua gestão, as reservas internacionais subiram de US$ 1,71 bilhão para US$ 9 bilhões. O PIB cresceu sempre acima dos 4% e neste ano, apesar da crise internacional, deve avançar 3%, a maior taxa da América Latina segundo projeções do FMI. A inflação anual está em 3%. As exportações registram recordes e o setor público não financeiro obtém superávit pela primeira vez desde 1970.

"Esses dados mostram que um indio, com todo o preconceito contra ele alimentado por elites da Bolívia e de fora, realiza seguramente o melhor governo que seu pais já experimentou até agora", disse Nilson Mourão. Ele comparou o caso Morales com o do próprio presidente Lula, que, ao assumir em 2003, teve de enfrentar preconceitos da oposição, das elites e da mídia. "Ambos ainda enfrentam preconceitos, mas os seus feitos à frente do governo mostram, concretamente, que têm mais capacidade de gestão que os membros das elites que os antecederam", sublinhou Mourão, que é membro da Frente Parlamentar Brasil/Bolívia.

Evo criou vários programas sociais, como o bônus para as famílias pobres - o mais importante, uma espécie de Bolsa Escola, que dá 200 bolivianos (R$ 50) por ano a 1,8 milhão de crianças em idade escolar. O bônus se chama Juancito Pinto, e deve atender este ano a 1,85 milhão de crianças de famílias de baixa renda que estão frequentando a escola. O governo diz que este ano desembolsará 370,6 milhões de bolivianos (R$ 90 milhões) no programa. "

O Juancito Pinto, criado em 2006, primeiro ano de mandato de Morales, foi um dos feitos sociais mais explorados pelo governo durante a campanha pela reeleição do presidente.

Os recursos do bolsa escola boliviano, assim como o de outros bônus, vêm dos hidrocarbonetos. O governo apresenta o bônus como "um beneficio da nacionalização dos hidrocarbonetos" - ocorrida em 2006. Junto com o setor mineral, os hidrocarbonetos respondem por quase 80% das exportações do país. Morales também distribui um bônus para mulheres grávidas (de 1.820 bolivianos, cerca de R$ 440, parcelados do pré-natal até a criança completar dois anos); e ampliou um bônus de até 3.000 bolivianos (R$ 730) para quem tem mais de 60 anos.

No campo das finanças públicas, um dado importante: o país registrou superávit no setor público não financeiro, revertendo déficits consecutivos que vinham desde 1970; e a inflação puxada pelos alimentos, que passou dos 15% nos dois primeiros anos do governo, caiu e deve ficar entre 2% a 3% em 2009.

Pelos parâmetros políticos atuais da América Latina, Morales talvez se pareça ao cabo de quatro anos com a faixa de presidente mais com de Luiz Inácio Lula da Silva - com programas sociais casados com uma política econômica pragmática. Segundo o Ministério de Economia e Finanças, "o motor do crescimento econômico se deveu ao impulso que se deu, desde 2006, à demanda interna e à redistribuição de renda".

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