segunda-feira, 22 de março de 2010

Revista afirma que Lula quer cargo na ONU.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente brincou estar "contaminado pelo vírus da paz", estaria avaliando uma tentativa de se tornar o próximo secretário-geral da ONU, segundo reportagem publicada no sábado pelo jornal britânico The Times.
Diplomatas dizem que Lula, que deixará a presidência em janeiro, pode buscar o principal posto diplomático quando o primeiro mandato de Ban Ki Moon terminar no final de 2011, disse a publicação. A ideia teria sido lançada primeiramente pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante uma reunião da cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro.
Procurado pelo Correio Luziese, Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência para assuntos internacionais, se recusou a descartar a possibilidade. "Ele tem enorme interesse em questões internacionais, no processo de integração da América do Sul", afirmou ele. "Ele tem uma grande paixão pela África. Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África."
De acordo com o jornal, o estilo pessoal e a capacidade de Lula de ser manter relações amigáveis com todos os lados - China e Estados Unidos ou Irã e Israel - elevaram seu perfil internacional. O The Times citou ainda a postura do presidente em uma visita na última semana ao Oriente Médio, na qual disse: "O vírus da paz está comigo desde que eu estava na barriga da minha mãe."
A publicação reconheceu, contudo, que Lula recentemente adotou posições que desagradaram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, dois dos países que podem vetar sua indicação. Segundo o jornal, ele aborreceu Washington ao receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro e ao criticar as sanções contra o país. A reportagem destacou ainda o apoio do presidente à Argentina na disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.
Segundo o jornal, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, teria classificado as ambições de paz mundial de Lula como quase "risivelmente ingênuas". Diplomatas esperam que Ban Ki Moon, cauteloso ex-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, tente um segundo mandato de cinco anos, informou o The Times.

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